Entrevista com Pollaco Oliva

Pollaco Oliva fala nesta pequena entrevista sobre o seu CD intitulado "Outono", comenta sobre criatividade, harmonia, fala sobre seus métodos de ensino musical, o CD "Jazz em Dobro que gravou com Lupa Santiago" e muito mais.

Rodrigo Chenta- Em sua vídeo aula "Aplicação de Escalas" quando fala sobre o assunto criatividade, cita o raciocínio, mecânica do instrumento e o uso do ouvido como pontos importantes. Fale mais sobre o assunto.
Pollaco Oliva-
Eu acredito que a base do desenvolvimento da musicalidade está na sincronia entre o entendimento racional, a execução mecânica e a percepção auditiva do elemento musical.

RC- No livro intitulado "Harmonia" no item formação de acordes escreveu que "... tríades e acordes são elementos complementares entre si...". Aqui é possível entender que uma tríade não é um acordo (acorde) de três notas?
PO-
Do ponto de vista técnico e principalmente em música popular, progressões harmônicas triádicas, ou seja, sem as 7ªs tem uma qualidade sonora bem diferente daquela harmonia com acordes com 7ª e dissonâncias. Por isso a distinção entre tríade e acorde. O mais comum é a combinação de tríades e acordes em harmonias.

RC- Na mesma publicação afirmou que "o problema mais sério que pode ocorrer na mudança de um acorde para o outro, é todas as vozes saltarem no mesmo sentido... comprometendo a qualidade harmônica de uma cadência...". De quais maneiras esta qualidade se compromete?
PO-
Quando o salto é muito grande e no mesmo sentido, perde-se a conexão entre as vozes na passagem de um acorde p/ o outro. Dessa maneira a qualidade da harmonia fica "rarefeita".

"Harmonia é uma só, o resto são interpretações."

Pollaco Oliva RC- Em relação ao estudo da harmonia muito autores usam termos como tríade e tétrade. Alguns não gostam do último. Qual a sua visão em relação ao uso didático ou não deste termo?
PO-
Eu vejo tétrade como sendo a denominação teórica de um acorde na posição fechada (3ªs sobrepostas), eu prefiro a denominação "acorde".

RC- Já aconteceram muitos debates calorosos entre os defensores da harmonia tradicional e da funcional. Como você entende este assunto?
PO-
Harmonia é uma só, o resto são interpretações.

RC- Como você pontuaria os diferenciais dos teus métodos para o ensino musical?
PO-
Eu penso que o estudante tem que aprender os fundamentos da música junto com o instrumento. Assim é feito nos principais centros, ou seja: ter aulas de percepção, leitura, harmonia, etc; ao mesmo tempo que aprende a tocar. Eu procuro fazer isso nas minhas aulas, englobar o máximo possível de informação sobre música.

RC- Em teu CD "Outono" gravou "Miles II" e deixou o comentário de um erro na gravação. Isso é interessante e o take está tão musical como o da "Dr. Miles". Como surgiu esta ideia?
PO-
Foi espontâneo. Miles II é um take de Dr. Miles que não deu certo na transição da intro para a parte A da música. Aí ficou gravado o meu comentário porque estávamos gravando ao vivo e eu deixei.

"As gravadoras estão acabando ..."

Pollaco Oliva - CD Outono
RC- 8- Este trabalho saiu pela CEMA Records. De alguns anos para cá aumentou consideravelmente a produção de CDs nesta mesma estética, mas de forma independente. Como você vê atualmente esta dicotomia do "independente" e "gravadoras"?
PO-
É a nova ordem. As gravadoras estão acabando, principalmente as pequenas.

RC- Como procede para nomear as músicas que compõem e quais critérios usou para definir quais entraram para o CD?
PO-
O nome depende de situações, pessoas, do momento da composição. Agora o CD Outono foi um registro da primeira fase da minha carreira como compositor/arranjador. Escolhi o material que mais representava o meu trabalho na época.

RC- Mesmo você tendo uma grande atuação com a guitarra gravou também o piano rhodes e teclados neste álbum. Acredita que um instrumento facilita o aprendizado de outro?
PO-
Acredito que quanto mais você estuda música, melhor o acesso a outros instrumentos.

RC- Você gravou a música "Parabéns" em teu CD solo e em Duo de guitarras com Lupa Santiago. Como foi realizado o arranjo para cada gravação?
PO-
O 1° foi totalmente pensado e pré-produzido, o 2° foi improvisado e espontâneo no estúdio.

RC- No CD "Jazz em Dobro" que gravou com Lupa Santiago tem algumas músicas bastante livres como "Frio", "Free Way", "Frito" e "Tchau Zé". Nestas composições tudo está escrito ou segue de forma espontânea como em uma improvisação livre?
PO-
Improvisação livre.

RC- Na capa deste trabalho tem uma arte de Stephen Henriques com óleo sobre tela. Qual a relação dela com o nome "Jazz em Dobro"?
PO-
O Stephen pintou o quadro ouvindo a master do CD.

Saiba mais sobre Pollaco Oliva
Saiba mais sobre Rodrigo Chenta